Notícia publicada na Folha de S. Paulo de hoje (24-01-2012. p. A4): “Dilma tenta blindar Haddad contra falhas no ENEM.” O desespero da presidente em blindar Haddad é o reconhecimento da sucessão de trapalhadas do ex-ministro.
Fernando Haddad foi reprovado nos ENEMs realizados durante sua gestão no MEC: Em 2009 deu-se o vazamento das provas; em 2o1o questões foram divulgadas antes dos exames. Agora, quando se esperava que o assunto estivesse encerrado, ocorre o imbroglio das notas das redações. Sucessivas demonstrações de incompetência, para dizer o mínimo, prejudicam os estudantes, suas famílias e as universidades integradas ao SISU.
Quanto tempo vai ser necessário para que o ENEM, tantas vezes desmoralizado, recupere a credibilidade? Como se sentirão os alunos que abrem mão do lazer dos anos dourados da adolescência e da juventude para se dedicarem ao sonho de ingressar na universidade e não têm a segurança de que seu esforço será rcompensado por avaliação criteriosa, justa e imparcial? E seus pais, com se sentirão?…
Curvando-se ao fracasso de seu desempenho o ministro decide, agora, às vésperas de se afastar do cargo para disputar a eleição municipal de São Paulo, cancelar a realização do ENEM previsto para o primeiro semestre deste ano. Evita, assim, a ameaça de mais um fiasco e passa o problema para o sucessor.
Não é de estranhar que entre 60 países participantes do Programa Internacional de Avaliação de Alunos, (PISA) coordenado pela OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (2009) – os estudantes brasileiros se situaram em 49º lugar em leitura, em 53º em matemática e em 49º em ciências.
“Um país se faz com homens e livros” ensinava Monteiro Lobato. Hoje, a releitura dessa frase pode ser: Um país se faz com homens,educação e tecnologia. Sem essa consciência não há esperança de conquistarmos a sociedade justa, solidária e auto sustentável que almejamos.
Publicado em Uncategorized | 4 Comentários »
Prezado Guaçu: segue abaixo o artigo para o dia 24 de janeiro de 2012. Como foi de festas? Retemperou as energias?
Abraço do Roxo
AS RELAÇÕES LÍQUIDAS DA MODERNIDADE
Leandro Ortunes
Frequentemente nos deparamos com certas situações antagônicas na modernidade ou na pós-modernidade como alguns preferem dizer. Um exemplo clássico é nossa forma de comunicação atual. Ao mesmo tempo em que estamos conectados em um mundo virtual com muitas pessoas, por muitas vezes também estamos perdidos em um vazio, isso mesmo possuindo toda facilidade em trocar mensagens eletrônicas através das redes sociais ou por celulares. Evidentemente, não podemos generalizar esta situação, muito menos criticar estes novos atores que compõe nossos dias. De fato, as novas tecnologias nos ajudam e facilitam nossa comunicação, mas sutilmente elas impactaram muito no nosso modo de agir e pensar, principalmente na construção de novos relacionamentos. As Redes Sociais estão presentes na vida das pessoas e se tornaram pilares das relações humanas, sendo elas agentes de encontro e desencontros.
Vivemos também na era do Fast food, queremos a mesma rapidez para adquirir conhecimento, para obter bons resultados profissionais e também queremos relacionamentos Fast food. Relacionamentos que apenas satisfaçam o “Eu”, e que se formam e se acabam rapidamente. O Sociólogo Zygmunt Bauman dedicou alguns trabalhos para estudar este fenômeno e cunhou um termo muito interessante: “A Modernidade Líquida”. Bauman foi além e também escreveu um livro sobre o “Amor Líquido”. Mas o que é essa tal liquidez que Bauman descreve? É exatamente a fragilidade e superficialidade em que as relações humanas estão construídas, desde um relacionamento amoroso ou até mesmo amizades formadas. Na era do Facebook é fácil conquistar novas amizades e depois abandoná-las, pois não precisamos mais aturar aqueles que não nos satisfazem. Isso era impraticável quando as relações eram estritamente presenciais. Tínhamos que lidar com as diferenças entre as pessoas, aprendíamos a conviver, e isso formava uma sociedade mais sólida, com relacionamentos mais concretos, mesmo em meio a grande divergência de ideias. Hoje excluímos a quem não queremos, temos muitos e ao mesmo tempo temos pouco. Bauman, em uma entrevista no Brasil, diz que esta facilidade em romper relações em um “clique” cria uma sociedade muito pragmática e com um futuro muito incerto. O grande problema ocorre quando este anseio pelo rápido e a liquidez dos relacionamentos acabam tornando a sociedade mais fria e injusta. Quando a frase “Antes amávamos as pessoas e usávamos as coisas, hoje amamos as coisas e usamos as pessoas” passa a fazer sentido. Esse é um problema que não deve existir na sociedade. O que podemos fazer para que isso não aconteça? Devemos utilizar esta tecnologia da modernidade para nos aprofundar nas relações humanas. Compreender as necessidades e anseios que a humanidade possui, lutar contra injustiças e problemas que assolam nosso meio. Devemos sempre lembrar que nas redes sociais um clique com outra pessoa, não é um simples clique da informática, mas é um clique carregado de emoções e sentimentos, os quais devem ser respeitados e compreendidos.
Os “tempos líquidos” e do “fast food” devem ser conciliados com nossa necessidade de estar fisicamente em conjunto, como eram nossas relações clânicas. Tempo em que tínhamos relacionamentos sólidos e que confortavam uns aos outros em tempos difíceis. Devemos sempre lembrar que a dialética é responsável pela construção de um novo conhecimento, por isso, será no diálogo sólido das diferentes classes e culturas que poderemos promover uma sociedade melhor e mais justa. Que as redes sociais nos aproximem do diálogo real, ultrapassando fronteiras para promover um “bem maior”, e não nos aprisione na tecnologia sobre qual ela funciona.
*Leandro Ortunes é graduado em Comércio Exterior pelo UNIFIEO, especialista em Relações Internacionais (FAAP), especialista em Ciências da Religião (PUC-SP) e mestrando em Ciências Sociais (PUC-SP) e membro do Grupo de Estudos de Comércio Exterior do UNIFIEO – GECEU. E-mail leandroortunes@uol.com.br
Publicado em Uncategorized | 1 Comentário »
Palmeirensse, que sou, tive vontade de engavetar este post que me envia o amigo Hungria. Mas, sempre atento, o Nada Ingênuo Holandês Voador foi
categórico:
- Você não alardeia que neste blog não há censura? Publica, anda…
– OK, aí vai:
Na tentativa de diagnosticar os verdadeiros e misteriosos motivos do mau desempenho do time palmeirense ultimamente, o presidente Tirone, desconfiado de que estava rolando algumas drogas entre os jogadores, conseguiu que a polícia desse uma batida incerta no ônibus que os transportava ao Parque Antártica. Conclusão policial: “Não encontramos nenhuma cocaína, nenhuma morfina, nenhuma maconha, nenhum crack…”
Publicado em Uncategorized | 2 Comentários »
Tudo é questão de valores. O governo celebra, com euforia, a notícia de que o Brasil poderá chegar, neste ano de 2012, à invejável condição de sexta economia do mundo deixando para trás a Inglaterra. Para uma nação que, em meados do século passado, sequer figurava na geografia econômica global, é salto que merece destaque. Dilma e Mântega comemoram. Até aí não há novidade. A sedução do político, no poder, e do tecnocrata a serviço do governo, é alardear o que interessa e ocultar o que nada agrega. Foi exatamente isso o que confessou, certa vez, Rubens Ricupero, no estúdio da Globo, sem saber que estava no ar. A bravata custou-lhe o posto de ministro.
No discurso de 31 de dezembro, contrariando os prognósticos, Dilma afirmou que 2012 é o ano da prosperidade. Felizmente a presidente não corre o risco de ser afastada do poder por sua declaração, embora termerária e inconsistente. No regime constitucional e representativo, em vigor, seria indesejável e desastroso admitir a perda de mandato eletivo por essa razão. Mântega, contudo, deveria ser mais cauteloso. O fato do nosso PIB estar entre os seis ou sete maiores do mundo não significa, como afirmou o ministro, que, em quinze ou vinte anos, os brasileiros terão nível de vida comparável ao dos europeus. No ritmo em que andam as coisas, estaremos bem se nesse período, alcançarmos nossos vizinhos do cone sul (Uruguai, Argentina e Chile) que seguem à nossa frente.
Não duvido que algum leitor esteja, neste momento, torcendo o nariz com o impacto da comparação que acabo de fazer: Quando, finalmente, o Brasil chega a uma posição de destaque na área econômica, vem esse desmancha prazer minimizar a importância do feito. Longe de mim essa intenção, mormente nestes tempos em que o espírito das festas de fim de ano é propício aos sonhos e fantasias. Eu também sei, como o leitor deste blog, que as promessas do futuro ajudam a suportar as frustrações do presente. Mas, janeiro já chegou e, com ele, o novo ano a nos alertar que é hora de voltar à realidade, firmar os pés no chão e pôr os pingos nos “is” (desculpem os clichês), até porque a euforia do carnaval se aproxima e corremos o risco de recaída em novo surto coletivo de ilusões.
QUEM PRECISA DE SOCORRO?
Meses atrás, a manda chuva do FMI, desembarcou em Brasília com a anunciada missão de solicitar empréstimos para socorrer Espanha, Itália, Grécia e Portugal, os quatro países da União Européia devastados pela crise. Foi uma festa. De devedor histórico, o Brasil passou à condição de credor em potencial. O entusiasmo do governo transformou-se em palanque eleitoral e os discursos davam a impressão de que todos os nossos problemas econômicos, políticos e sociais estavam repentinamente solucionados. Quem ligava a televisão ou lia os jornais tinha a sensação de que aqui se vive o reino benfazejo da justiça e da felicidade e o Brasil, nova potência global, é o paraíso na terra…
Infelizmente, a realidade é bem outra. Tomando como referência o IDH – Índice de Desenvovimento Humano - indicador de qualidade de vida adotado pela ONU – a posição do Brasil (84º lugar) é muito inferior à da Espanha (23º); Itália (24º); Grécia (29º) e Portugal (41º). Quanto à variável PIB per capita (em dólares), o quadro não é mais animador: Itália - 30.500; Grécia - 29.6oo; Espanha - 29.400; Portugal 23.ooo; Brasil 10.8oo- Quem se surpreende com esses dados deve ser informado que o IDH é calculad0 com base na renda, educação e saúde. Nesses quesitos a situação do nosso país é lastimável: A renda per capita, além de ser apenas a 77ª do planeta, está entre as dez mais concentradas do mundo (os 10 % mais ricos da população apropriam-se de 48,2% da renda enquanto que os 10% mais pobres ficam com apenas 1,3%). A maioria da população pouco se beneficia do decantado PIBão. A educação e a saúde públicas, como todos sabemos, são insuficientes e de péssima qualidade. Mais grave do que a realidade desfavorável, entretanto, é o balanço do desempenho recente: O IDH do Brasil, no ranking da ONU, despencou do 70º lugar em 2007 para o 84º, em 2011. É provável que a mágica do ministro da fazenda para prever a “europeização” da qualidade de vida do povo brasileiro, em 15 ou 20 anos, tenha sido a mesma da falaciosa bola de cristal consultada, no início do ano pasado quando prognosticou que, em 2011, a inflação seria de 5%, quando foi de 6,5 (a maior desde 2003), e o crescimento do PIB atingiria os 5%, quando não passou de pífios 2,9%.
Ninguém está aqui para criticar a vontade ou o sonho do ministro, mas são afirmações como a que ele acaba de fazer que vêm dando credibilidade à provocação atribuída ao general De Gaule, quando teria declarado que o Brasil não é um país sério. Prefiro fazer outra leitura a respeito da polêmica sucitada pelas declarações de Guido Mântega: Já é tempo de um debate responsável sobre a tão sonhada, mas sempre distante, busca do bem estar social do nosso povo. E aqui fica a pergunta que nos incomoda: Afinal de contas, a sociedade brasileira é viável?… Dê a sua opinião.
Publicado em Uncategorized | 9 Comentários »
Embora prioritária, a reforma política é sempre postergada em virtude da soma de interresses em jogo. Para avançar, um pouco que seja, a única alternativa é partir para alterações setoriais que permitam ganhar espaço por etapas. O importante é quebrar a inércia e começar pelas mudanças que são fontes inesgotáveis de corrupção e negociatas e que mais revoltam o cidadão. A proliferação de partidos de aluguel, que nada representam torna imposssível a governabilidade. As legendas sem conteúdo ideológico e sem voto, servem apenas aos interesses de seus “donos” que exigem cargos e mordomia em troca de apoio ou tempo do horário gratuito de rádio e tv nas campanhas eleitorais. Seria simples corrigir essa distorção que degrada a democracia e dificulta a ação do governo. Basta adotar algumas das chamadas cláusulas de barreira que são plenamente conhecidas dos legisladores. Exigências como porcentagem mínima de dputados federais eleitos, presença em pelo menos um quinto dos estados, são medidas simples e práticas que, em pouco tempo, reduziriam a quantidade de partidoss a uma proporção aceitável. Todos sabem o caminho, mas nada acontece porque os interesses pessoais e de grupos são mais fortes do que o patriotismo, o bom senso e os ideais republicanos. Entendendo que a reforma ampla é complexa e dificilmente será implementada, a sociedade civil poderia pressionar por conquistas de grande relevância, ainda que parciais.
Dê sua opinião a respeito dos setores específicos em que seria possível melhorar a governabilidade e a transparência na administração pública. Em 2o12 a reforma política deverá ser destaque na mídia. Estaremos atentos e voltaremos ao assunto.
Publicado em Uncategorized | 5 Comentários »
Vivemos no marvilhoso país da fantasia. Por aqui tudo é possível, e o que não é, também acontece. Quem imaginaria que o Judiciário, festejado como a ”cidadela inexpugnável” da honra e da lei, fosse, um dia, investigado por denúncias de supostas irregularidades levantadas pelo Conselho Nacional de Justiça. Eliana Calmon, ministra corregedora do Conselho, depois de ter suas ações sistematicamente cerceadas, desabafa: “Parece haver um complô para que não se puna ninguém no Brasil.” (Folha de S, Paulo – 26-12-2011. p. A8).
O Conselho Nacional de Justiça foi criado, por emenda constitucional, para investigar eventuais irregularidades e desvios de comportamento de magistrad0s. A Ajufe, a AMB e a Anamatras, as três entidades representativas dos juízes, ignoraram as denúncias e resolveram apostar na tentativa de mudar o foco dos fatos requerendo à Procuradoria-geral da República e ao próprio Conselho a investigação da conduta da ministra corregedora. Paralelamente, dirigiram-se ao STF onde conseguiram duas liminares: A primeira, do ministro Marco Aurélio Mello, limita as ações do CNJ e a segunda, do ministro Ricardo Lewandowski, suspende a inspeção que a equipe integrada por profissionais do próprio CNJ, da Receita Federal, do Banco Central, da Policia Federal e do Coaf, realizava nas folhas de pagamento de 22 tribunais do país. Pressionada a ministra Eliana Calmon não recua. Declara-se vítima de ”linchamento moral” e afirma não ter do que se desculpar: ”Eu não ofendi todos os juízes. Eu quero é proteger a magistratura dos bandidos infiltrados”. Essa ressalva é necessária pois seria a maior injustiça generalizar.
CONGRESSO NACIONAL OMISSO
Dos congressistas pouco se pode esperar. A cultura bacharelesca predominante no legislativo inibe a ação de deputados e senadores que, em sua maioria, se omitem da missão de exigir transparência na investigação das supostas irregularides. Subjacente ao processo de democratização das instituições brasileiras, perdura, entre as elites políticas e judiciárias, acordo tácito típico das sociedades aristocráticas. A interface entre Legislativo e Judiciário, decorre de processo histórico de cumplicidade consolidado por secular tradição refratária ao ideal de igualdade e à primazia dos princípios republicanos. Imposto de cima para baixo, com escassa participação popular, o estado brasileiro é imperial. Concebido para garantir privilégios da classe dominante, tem ignorado, ao longo do tempo, as multidões de pobres, analfabetos e marginalizados. O “estado sem povo” é herança que vem aprofundando a gigantesca dívida social do país, em especial com a educação, alargando a distância entre o poder e a sociedade e restringindo o grau de politização dos brasileiros.
NEM TUDO ESTÁ PERDIDO
Quando a maioria da classe se cala, por espírito de corpo ou por compreensível temor de represália, ouve-se a voz da revolta de magistrados das mais longínquas regiões do país que, inconformados com a atitude corporativista dos dirigentes de suas associações, protestam em defesa do controle externo para assegurar a transparência das ações do Judiciário. Além dos representantes da classe identificamos outras manifestações que merecem especial destaque:
1 – Segundo o jornal Folha de S. Paulo (26-12-2011. p. A8), Nelson Jobim, ex-presidente do STF, expõe sua posição em cinco ou seis tópicos de artigo inédito que transcrevemos: ” … o esvaziamento do CNJ é um retrocesso; (…) em nenhum poder a necessidade de controle é ‘tão pronunciada’ como no Judiciário; (…) ‘em nenhum momento as associações de magistrados aceitaram’ um órgão como o conselho criado para fazer o controle do Judiciário; (…) se prevalecer essa tese o CNJ ‘passará a ser órgão dependente de ações prévias – de duvidosa ocorrência e transparência’ – dos tribunais. (…) ’As elites dos estados federados debatem-se para impedir que seus pretendidos espaços sejam objeto de exame por órgão de visibilidade nacional.’”
2 – No editorial “Chicana no STF” a Folha de S. Paulo (21-12-2011) escreve: “Decisão do ministro Marco Aurélio Mello de suspender poderes do CNJ é mais uma demosntração de corporativismo no Judiciário.”
3 - - O presidente da OAB, Ophir Cavalcante, defende o controle externo do Judiciário: “Nenhuma autoridade está imune à verificação da correção de seus atos, daí porque é fundamental que para além de preservar a competência concorrente do CNJ para apurar desvios éticos, em respeito ao cidadão brasileiro, sejam apurados todos e quaisquer recebimentos de valores por parte de magistrados, explicando-se à sociedade de onde provêm e a razão por que foram pagos”, ( ig, 22-12-2011) .
Entidades que têm tradição de luta democrática, como a CNBB, a ABI, e tantas outras, não têm o direito de silenciar neste momento histórico em que se defende a transparência e se combate a impunidade. Da mesma forma a sociedade civil organizada e atuante tem o dever de se mobilizar em defesa do CNJ ameaçado pelas tentativas de limitar seu poder e transformá-lo em orgão decorativo.
É tempo, como se percebe, de virar a página desse episódio, com patriotismo e bom senso, porque, à luz da polêmica em curso, uma constatação já é visível: A resistência ao controle externo desgasta a credibilidade do Judiciário e isso é ruím para a instituição e péssimo para o Brasil.
Publicado em Uncategorized | 6 Comentários »
1 – O ratinho passou um e-mail para seus parentes e amigos: como o Kassab falhou no seu plano de desratizar a cidade, nossa população cresceu muito e o problema de moradia vem se agravando cada vez mais. Vai daí, resolvi subir a avenida Rebouças e encontrei um casarão enorme e antigo para morar, o qual estava alugado para uma Escola de Idiomas. Pelo cheiro e pelo rastro, percebi que nele habitava também um gato, para azar meu. A vida caminhava, muitos alunos ali frequentavam e eu me alimentando de migalhas de um corrido almoço que nos intervalos de aula me sobravam. Um belo dia, dei de cara com o bichano que me meteu medo; corri e me enfiei num pequeno e estreito buraco do rodapé de uma sala de aula. Percebi, sem muito esforço, que meus dias de vida estavam contados, no fim. Não tinha saída, não tinha água nem comida, e o bichano dali não arredava os pés, ou melhor, as patas. Famélico e desanimado, sem qualquer esperança, ouvi, à noite, um forte latido. Pensei, “fui salvo pelo gongo, ou melhor, pelo cachorrão que deve ter posto o gato para correr”. Saí, e o bichano me pegou. Procurando me poupar da morte, fui levado em sua boca e fiz um giro pelo casarão, talvez para que o bichano mostrasse serviço aos dirigentes, pois afinal ali morava, vivia de afagos de alunos e só. Nem um rato pela redondeza e ele, pensei, como iria justificar moradia e alimentação grátis, sem nem mesmo imposto de renda? Estava na hora de fazer alguma coisa, era minha conclusão naqueles momentos. Em resumo, o bichano me exibiu para todos e no fim me colocou num prato, pronto para ser engolido. Verdadeira lição de marketing, deduzi. Vai daí, quando senti que ia morrer mesmo, não aguentei e perguntei aos berros:”seu gato, cadê o cachorrão que deu aqueles latidos fortes?”. Sorrindo, o bichano disse: “fui eu mesmo que lati, não tinha cachorro algum”. Perplexo, indaguei: “mas como, desde quando gato mia e late?” Sorrindo ele respondeu: “nesta minha casa, pelas salas de aula, pelos corredores, não ouço outra coisa que, nos tempos atuais, falar dois idiomas é questão de sobrevivência…”
2 – O menino tinha 2 aninhos e era são paulino roxo. Isto porque lhe perguntavam:”você gosta de sua mãe?” – “Não, ela me bate”, respondia. “Você gosta do seu pai?”. “Não, ele me bate”. “Só gosto do São Paulo Futebol Clube”. Os dirigentes do tricolor viam no garoto um belo substituto do Rogério Ceni, que, parecendo o Silvio Caldas, vivia anunciando sua aposentadoria. Só anunciando. “Puro marketing”, e já não iludia ninguém. Numa jogada, os dirigentes do time levaram o menino ao almoço-convenção anual do time, com cerca de 1000 talheres, a nata dos são paulinos roxos que ali se reuniam para se confraternizar, se vangloriar e exaltar as façanhas da tradicional equipe paulistana. Toda mídia presente, “flashes” espoucavam um atrás do outro, e foi feita a apresentação daquele garoto-propaganda, que ali, alto e bom som, nos microfones, iria declarar seu amor ao tricolor. Palmas, alegria, exaltação. Um repórter quis saber a razão daquele amor aos 2 anos de idade. Silêncio total. Veio a resposta: “gosto do São Paulo Futebol Clube, porque ele não bate em ninguém”. Continuou o silêncio total e ali terminou a festança.
Naquele ano, o presidente do clube não foi reeleito.
3 – Vestibular de Medicina. Um candidato não sabia nada e era prova oral. O examinador exibe uma tíbia e perguntou se ele, o candidato, conhecia aquele osso. Este prontamente levantou-se, apertou o osso com a mão direita e arrematou: ”Muito prazer”. Gargalhada geral seguida de reprovação.
4 – Numa manhã fria e de neblina fechada, um pássaro preto conhecido por “vira bosta”, tremia e sondava o pasto do alto da cerca de arame farpado. Uma vaca se aproximou e fez um demorado cocô ali perto. O pássaro voou, se refestelou no cocô quentinho, e começou a assobiar e cantar, tamanha sua alegria. Uma cobra se aproximou e deu um bote, matando e engolindo o pássaro.
Moral da história aplicável à crise monetária global e atual: ”quem está na merda, não pode cantar”.
Pano rapidíssimo.
Oscar Niemeyer, quando completou 90 anos, veio, de avião, a São Paulo, inaugurar uma exposição de arte comemorativa de seu aniversário. Uma repórter da TV Cultura, dessas “inteligentes” que entrevista uma mãe que acabara de perder um filho em acidente de trânsito e pergunta “o que a senhora está sentindo?”, resolveu também entrevistar o arquiteto:
- Doutor, o senhor gosta mesmo do Rio?
- Sim.
- Doutor, o senhor está satisfeito com a exposição?
- Sim.
- Doutor, ficamos sabendo há pouco que o senhor, hoje, está completando 90 anos de idade, é verdade?
- Sim.
- E o que o senhor me diz dos 90 anos?
- Uma bosta.
A repórter não sabia onde enfiar a cara; os equipamentos foram desligados às pressas; correria geral…
Hoje aos 104 anos, Oscar, como prefere ser chamado, em entrevista em sua casa, no Rio, disse que 104 ou 80 anos, é tudo a mesma coisa, é tudo a mesma merda!
Publicado em Uncategorized | 2 Comentários »
Prezado Guaçu: encaminho, abaixo, o artigo para o dia 13 de dezembro de 2011.
Abraço do Roxo
Incoerência da Dívida Pública Estadual
Flávio Riani
A questão da dívida pública brasileira vem sendo posta de lado há tempos, desde que os governos de Fernando Henrique Cardoso, Lula e agora a Presidenta Dilma tomaram como princípio básico da gestão pública brasileira o sacrifício necessário para gerar resultados primários para pagamento de parte dos juros da dívida pública.
Com tal processo, considerando os períodos administrativos mencionados, o Brasil já pagou mais de R$ 1,4 trilhão de juros da dívida. Tal pagamento foi insuficiente para quitar sequer os juros da dívida. Com isso o estoque da Dívida Pública Bruta ultrapassou o limite de R$ 2,3 trilhões.
Tal política foi respaldada pelas administrações estaduais que no período recente de bonança financeira contribuíram parcimoniosamente para a geração de resultados primários. Isto foi possível devido aos benefícios que o desempenho da economia internacional propiciou à economia brasileira, elevando, de forma significativa, as receitas fiscais no país, principalmente as estaduais. Muitos até se vangloriaram de terem feito políticas diferenciadas, com gestões modernas e choques, hoje desmascaradas em função da realidade financeira dos estados.
Mudado o quadro de bonanças fiscais, as esferas sub-nacionais que negociaram suas dívidas com o governo federal começaram a reclamar do peso dos seus encargos sob suas gestões financeiras. No caso específico de Minas Gerais, deve-se recordar que a questão da dívida foi denunciada pelo ex-governador Itamar Franco, logo no início de seu governo, que, à época, recebeu críticas de todos os lados, inclusive do PSDB que foi quem a renegociou e,
hoje, reclama dela.
Naquela época, as projeções financeiras indicavam um quadro extremamente difícil, pois além de compromissos anteriores não pagos, os pagamentos previstos para os encargos da dívida alcançariam R$ 1,4 bilhão (1999) ante uma média de R$ 400 milhões pagos anteriormente.
Porém, o que mais intriga nesta questão da dívida é que há alguns meses os estados que renegociaram suas dívidas com o governo federal começaram um movimento na busca de melhores condições para pagamentos da dívida sob o argumento que, devido à crise, suas situações financeiras estão debilitadas e muitos teriam grandes dificuldades para pagá-las. Se são estas as situações estaduais que já não conseguem pagar os juros dos estoques hoje existentes ( Minas Gerais ultrapassa R$ 60 bilhões) como justificar a atitude da Presidenta Dilma em ampliar o teto da dívida de sete Estados em R$ 21 bilhões, justamente os mais endividados. Desse total, São Paulo (R$ 7 bilhões) Rio de Janeiro e Minas Gerias ( R$ 6 bilhões e R$ 3 bilhões, respectivamente) absorverão 80% do valor total autorizado.
A pergunta que se deve fazer é a seguinte: Por que endividar mais se declaradamente os Estados já manifestaram suas incapacidades de pagamentos com os estoques atuais? Ao invés de endividar mais, por que não ter coragem de renegociar as condições de pagamento e até mesmo dos valores dos estoques da dívida? Já não terá o sistema financeiro ganhado uma boa quantia de dinheiro? Não seria agora a vez dele em contribuir?
Nem tudo que é bom para a Grécia é bom para o Brasil. Mas em relação à dívida, quem sabe?
Flávio Riani, economista, professor da PUC-MG e da Universidade de Itaúna é membro associado do Grupo de Estudos de Comércio Exterior do Unifieo – Geceu.
Publicado em Uncategorized | 1 Comentário »
Como acontece todos os anos, nesta época o blog abre espaço para mensagem de um leitor. O texto deste natal, selecionado pelos membros do nosso conselho de redação (Dr. Hungria, Prof. Roxo e este editor), é de autoria do Dudu Rodrigues que, entre outros títulos, é o inspirado autor da letra de EMBALADEIRA – a canção vencedora do histórico e inesquecível “Primeiro Festival Popular de Música de Osasco” – realizado em 1968 com o patrocínio da prefeitura:
“É NATAL: o menino nasceu
É tempo de festa. Pessoas agitadas correm atrás de sonhos e fantasias temendo não conseguirem seus desejos e aspirações.
Tudo é cuidadosamente preparado: a lista, os embrulhos, os cartões. Nada pode ser esquecido.
A cidade está iluminada. Há música no ar. Luzes piscam convidando para o prazer do consumo que parece acontecer num clima de paz e fraternidade. De amor e perdão.
Nesse clima de agitação, as pessoas acabam não olhando para dentro delas. Não percebem o sorriso da criança, a lágrima do idoso. Não percebem a dor do enfermo, nem a carência do despossuído.
Na correria não percebem o vento, não sentem o sol, a chuva e não têm tempo para admirar a lua e as estrelas. A natureza passa despercebida.
Há que preparar o banquete: o peru, as frutas, o champagne – que pena, só faltam a neve e o fantástico trenó.
Tudo é uma grande festa. É tempo de comemoração.
Comemorar o que? Você já pensou nisso?!
Liberte o sorriso. Abra o coração. Abrace o irmão. Pense na paz e na fraternidade e não esqueça o perdão. Reparta o pão. Multiplique os peixes – beba do vinho da comunhão e da consagração.
Acenda todas as luzes. Dê e receba presentes. Espoque o champagne para anunciar sua alegria.
Ah, não esqueça o motivo da festa. Não esqueça o aniversariante, pois essa festa é a festa dele. A festa de todos nós.
Com humildade olhe para o céu com olhos de amor e resignação. Você verá uma estrela a caminho do Oriente. Uma estrela que anunciou o menino que se fez homem e entre nós habitou. Ilumine-se do brilho dessa estrela. Solte seu grito a plenos pulmões, ou simplesmente balbucie:
- Feliz Aniversário, Jesus!
Tenha a certeza que em Cristo cada um de nossos dias é um eterno renascer.
Um Feliz Natal para cada um de vocês.
Dudu Rodrigues – Dez/2011″
Publicado em Uncategorized | 3 Comentários »