1 – O ratinho passou um e-mail para seus parentes e amigos: como o Kassab falhou no seu plano de desratizar a cidade, nossa população cresceu muito e o problema de moradia vem se agravando cada vez mais. Vai daí, resolvi subir a avenida Rebouças e encontrei um casarão enorme e antigo para morar, o qual estava alugado para uma Escola de Idiomas. Pelo cheiro e pelo rastro, percebi que nele habitava também um gato, para azar meu. A vida caminhava, muitos alunos ali frequentavam e eu me alimentando de migalhas de um corrido almoço que nos intervalos de aula me sobravam. Um belo dia, dei de cara com o bichano que me meteu medo; corri e me enfiei num pequeno e estreito buraco do rodapé de uma sala de aula. Percebi, sem muito esforço, que meus dias de vida estavam contados, no fim. Não tinha saída, não tinha água nem comida, e o bichano dali não arredava os pés, ou melhor, as patas. Famélico e desanimado, sem qualquer esperança, ouvi, à noite, um forte latido. Pensei, “fui salvo pelo gongo, ou melhor, pelo cachorrão que deve ter posto o gato para correr”. Saí, e o bichano me pegou. Procurando me poupar da morte, fui levado em sua boca e fiz um giro pelo casarão, talvez para que o bichano mostrasse serviço aos dirigentes, pois afinal ali morava, vivia de afagos de alunos e só. Nem um rato pela redondeza e ele, pensei, como iria justificar moradia e alimentação grátis, sem nem mesmo imposto de renda? Estava na hora de fazer alguma coisa, era minha conclusão naqueles momentos. Em resumo, o bichano me exibiu para todos e no fim me colocou num prato, pronto para ser engolido. Verdadeira lição de marketing, deduzi. Vai daí, quando senti que ia morrer mesmo, não aguentei e perguntei aos berros:”seu gato, cadê o cachorrão que deu aqueles latidos fortes?”. Sorrindo, o bichano disse: “fui eu mesmo que lati, não tinha cachorro algum”. Perplexo, indaguei: “mas como, desde quando gato mia e late?” Sorrindo ele respondeu: “nesta minha casa, pelas salas de aula, pelos corredores, não ouço outra coisa que, nos tempos atuais, falar dois idiomas é questão de sobrevivência…”
2 – O menino tinha 2 aninhos e era são paulino roxo. Isto porque lhe perguntavam:”você gosta de sua mãe?” – “Não, ela me bate”, respondia. “Você gosta do seu pai?”. “Não, ele me bate”. “Só gosto do São Paulo Futebol Clube”. Os dirigentes do tricolor viam no garoto um belo substituto do Rogério Ceni, que, parecendo o Silvio Caldas, vivia anunciando sua aposentadoria. Só anunciando. “Puro marketing”, e já não iludia ninguém. Numa jogada, os dirigentes do time levaram o menino ao almoço-convenção anual do time, com cerca de 1000 talheres, a nata dos são paulinos roxos que ali se reuniam para se confraternizar, se vangloriar e exaltar as façanhas da tradicional equipe paulistana. Toda mídia presente, “flashes” espoucavam um atrás do outro, e foi feita a apresentação daquele garoto-propaganda, que ali, alto e bom som, nos microfones, iria declarar seu amor ao tricolor. Palmas, alegria, exaltação. Um repórter quis saber a razão daquele amor aos 2 anos de idade. Silêncio total. Veio a resposta: “gosto do São Paulo Futebol Clube, porque ele não bate em ninguém”. Continuou o silêncio total e ali terminou a festança.
Naquele ano, o presidente do clube não foi reeleito.
3 – Vestibular de Medicina. Um candidato não sabia nada e era prova oral. O examinador exibe uma tíbia e perguntou se ele, o candidato, conhecia aquele osso. Este prontamente levantou-se, apertou o osso com a mão direita e arrematou: ”Muito prazer”. Gargalhada geral seguida de reprovação.
4 – Numa manhã fria e de neblina fechada, um pássaro preto conhecido por “vira bosta”, tremia e sondava o pasto do alto da cerca de arame farpado. Uma vaca se aproximou e fez um demorado cocô ali perto. O pássaro voou, se refestelou no cocô quentinho, e começou a assobiar e cantar, tamanha sua alegria. Uma cobra se aproximou e deu um bote, matando e engolindo o pássaro.
Moral da história aplicável à crise monetária global e atual: ”quem está na merda, não pode cantar”.
Pano rapidíssimo.
Oscar Niemeyer, quando completou 90 anos, veio, de avião, a São Paulo, inaugurar uma exposição de arte comemorativa de seu aniversário. Uma repórter da TV Cultura, dessas “inteligentes” que entrevista uma mãe que acabara de perder um filho em acidente de trânsito e pergunta “o que a senhora está sentindo?”, resolveu também entrevistar o arquiteto:
- Doutor, o senhor gosta mesmo do Rio?
- Sim.
- Doutor, o senhor está satisfeito com a exposição?
- Sim.
- Doutor, ficamos sabendo há pouco que o senhor, hoje, está completando 90 anos de idade, é verdade?
- Sim.
- E o que o senhor me diz dos 90 anos?
- Uma bosta.
A repórter não sabia onde enfiar a cara; os equipamentos foram desligados às pressas; correria geral…
Hoje aos 104 anos, Oscar, como prefere ser chamado, em entrevista em sua casa, no Rio, disse que 104 ou 80 anos, é tudo a mesma coisa, é tudo a mesma merda!
Quero parabenizar o Dr. Hungria pelas Rapidinhas.Gostei e dei boas risadas…
Só para relaxar.
Isabella Leal
Bosta ou não bosta,
Ninguém quer morrer
porque não basta
por mais bosta que seja,viver…