Tudo é questão de valores. O governo celebra, com euforia, a notícia de que o Brasil poderá chegar, neste ano de 2012, à invejável condição de sexta economia do mundo deixando para trás a Inglaterra. Para uma nação que, em meados do século passado, sequer figurava na geografia econômica global, é salto que merece destaque. Dilma e Mântega comemoram. Até aí não há novidade. A sedução do político, no poder, e do tecnocrata a serviço do governo, é alardear o que interessa e ocultar o que nada agrega. Foi exatamente isso o que confessou, certa vez, Rubens Ricupero, no estúdio da Globo, sem saber que estava no ar. A bravata custou-lhe o posto de ministro.
No discurso de 31 de dezembro, contrariando os prognósticos, Dilma afirmou que 2012 é o ano da prosperidade. Felizmente a presidente não corre o risco de ser afastada do poder por sua declaração, embora termerária e inconsistente. No regime constitucional e representativo, em vigor, seria indesejável e desastroso admitir a perda de mandato eletivo por essa razão. Mântega, contudo, deveria ser mais cauteloso. O fato do nosso PIB estar entre os seis ou sete maiores do mundo não significa, como afirmou o ministro, que, em quinze ou vinte anos, os brasileiros terão nível de vida comparável ao dos europeus. No ritmo em que andam as coisas, estaremos bem se nesse período, alcançarmos nossos vizinhos do cone sul (Uruguai, Argentina e Chile) que seguem à nossa frente.
Não duvido que algum leitor esteja, neste momento, torcendo o nariz com o impacto da comparação que acabo de fazer: Quando, finalmente, o Brasil chega a uma posição de destaque na área econômica, vem esse desmancha prazer minimizar a importância do feito. Longe de mim essa intenção, mormente nestes tempos em que o espírito das festas de fim de ano é propício aos sonhos e fantasias. Eu também sei, como o leitor deste blog, que as promessas do futuro ajudam a suportar as frustrações do presente. Mas, janeiro já chegou e, com ele, o novo ano a nos alertar que é hora de voltar à realidade, firmar os pés no chão e pôr os pingos nos “is” (desculpem os clichês), até porque a euforia do carnaval se aproxima e corremos o risco de recaída em novo surto coletivo de ilusões.
QUEM PRECISA DE SOCORRO?
Meses atrás, a manda chuva do FMI, desembarcou em Brasília com a anunciada missão de solicitar empréstimos para socorrer Espanha, Itália, Grécia e Portugal, os quatro países da União Européia devastados pela crise. Foi uma festa. De devedor histórico, o Brasil passou à condição de credor em potencial. O entusiasmo do governo transformou-se em palanque eleitoral e os discursos davam a impressão de que todos os nossos problemas econômicos, políticos e sociais estavam repentinamente solucionados. Quem ligava a televisão ou lia os jornais tinha a sensação de que aqui se vive o reino benfazejo da justiça e da felicidade e o Brasil, nova potência global, é o paraíso na terra…
Infelizmente, a realidade é bem outra. Tomando como referência o IDH – Índice de Desenvovimento Humano - indicador de qualidade de vida adotado pela ONU – a posição do Brasil (84º lugar) é muito inferior à da Espanha (23º); Itália (24º); Grécia (29º) e Portugal (41º). Quanto à variável PIB per capita (em dólares), o quadro não é mais animador: Itália - 30.500; Grécia - 29.6oo; Espanha - 29.400; Portugal 23.ooo; Brasil 10.8oo- Quem se surpreende com esses dados deve ser informado que o IDH é calculad0 com base na renda, educação e saúde. Nesses quesitos a situação do nosso país é lastimável: A renda per capita, além de ser apenas a 77ª do planeta, está entre as dez mais concentradas do mundo (os 10 % mais ricos da população apropriam-se de 48,2% da renda enquanto que os 10% mais pobres ficam com apenas 1,3%). A maioria da população pouco se beneficia do decantado PIBão. A educação e a saúde públicas, como todos sabemos, são insuficientes e de péssima qualidade. Mais grave do que a realidade desfavorável, entretanto, é o balanço do desempenho recente: O IDH do Brasil, no ranking da ONU, despencou do 70º lugar em 2007 para o 84º, em 2011. É provável que a mágica do ministro da fazenda para prever a “europeização” da qualidade de vida do povo brasileiro, em 15 ou 20 anos, tenha sido a mesma da falaciosa bola de cristal consultada, no início do ano pasado quando prognosticou que, em 2011, a inflação seria de 5%, quando foi de 6,5 (a maior desde 2003), e o crescimento do PIB atingiria os 5%, quando não passou de pífios 2,9%.
Ninguém está aqui para criticar a vontade ou o sonho do ministro, mas são afirmações como a que ele acaba de fazer que vêm dando credibilidade à provocação atribuída ao general De Gaule, quando teria declarado que o Brasil não é um país sério. Prefiro fazer outra leitura a respeito da polêmica sucitada pelas declarações de Guido Mântega: Já é tempo de um debate responsável sobre a tão sonhada, mas sempre distante, busca do bem estar social do nosso povo. E aqui fica a pergunta que nos incomoda: Afinal de contas, a sociedade brasileira é viável?… Dê a sua opinião.
A sociedade brasileira é pragmática e essencialmente fisiológica. O brasileiro é cordial, mas não é solidário.
A tradicional classe média e a nova classe emergente parecem não ter consciência do país em que vivem. Pagam altos impostos, pois o Brasil é o país dos impostos. Em troca o Estado deveria oferecer Educação, Saúde, Transporte e Segurança acessível a todos – afinal isso é dever do Estado
A sociedade além de não cobrar, veja o que acabou fazendo:
a) acredita e incentiva o ensino privado
b) criou o Seguro Saúde
c) inventou os Consórcios de Automotivos
d) criou a Segurança Privada.
O governo achou muito bom. Continua a arrecadar impostos e não deve satisfação ao contribuinte pois este já sanou o problema.
Ora bolas: Educação, Saúde, Transporte e Segurança Públicas não é benesse – afinal pagamos por isso.
Ah, ia me esquecendo: o aposentado do INSS que ganha acima de 1 salário mínimo, não tem aumento decente e a cada ano vê o achatamento do seus vencimentos. O governo diz que não há dinheiro. Não há?! Então, o discurso do Mantega é enganoso. É claro que há, mas o destino é um outro. E voces sabem disso. Sabem mas não estão muito preocupados. Afinal vivemos num mar de rosas. Não é mesmo?!
Parabéns pelo artigo Patrão.Gostei muito.
Guaçu, ótima matéria!!!! MEUS PARABÉNS!!!!
Oi DUDU
exelente comentrio. Valoriza o post e mostra que estamos vivos. A propaiato,
voc no dorme, cara? Abrao
Ora, Guaçu, é uma questão de ponto de vista.
O Ministro e seus acólitos veem o mundo sob a ótica econômica e de desenvolvimento contínuo.
Nós (eu me alinho a você) pensamos em “qualidade de vida!”, onde a economia e o desenvolvimento são apenas fatores do conjunto. Um povo, como o nosso, sem caráter e sem educação (de berço e/ou convencional), só poderá igualar-se aos mais “civilizados e desenvolvidos” quando tiver consciência cidadã e democrática.
Só então poderemos comemorar!!!
Albertino
O que adianta um PIB alto se a desigualdades sociais são descabidas.
Cadê nosso ensino público, temos escolas, mas não temos qualidade.
Cadê o atendimento médico aos necessitados, as pessoas continuam amontoadas nos corredores dos hospitais, sem atendimento algum.
O que adianta um PIB alto se a cada $ 100, $ 48 ficam nas mães de umas poucas pessoas.
Isto sem falar das altas taxas de financiamentos, cartões de créditos (20% ao mês), taxas de juros bancários etc.
Eu quero um Brasil com alto PIB, mas quero um Brasil com baixa desigualdade social, com baixa corrupção na política, com um judiciário que funcione, não só para o pobre para também para estes criminosos que estão enraizados na nossa política, nos governos, nos sonegadores etc.
Guaçu estou contigo e não abro.
Caro Guaçu:
Seus comentários retratam a mistificação do Mantega.
Parabéns!
Um abraço,
Kleber Amancio Costa
Muito bem colocado, em IDH o Brasil está muito longe do padrão europeu… que dirá então de outros padrões, como por exemplo o PISA em Educação Básica e o índice de competitividade global de DAVOS… o Brasil terá de “ralar muito” antes de fazer parte, de verdade, do primeiro time… cabe a nós brasileiros, enquanto cidadãos, fazer parte deste esforço…
Não tem nada com nada ou tem? Peço licença para um grito. Dia desses ouvi na Voz do Brasil,que proprietários de terra,estão matando os últimos índios guaranis do Brasil, no MS. Matam e somem com os corpos para dificultarem-se as investigações; tbem bloqueiam estradas para que fiquem os guaranis,sem medicamentos. Não ouvi um grito sequer. Desse PIB, Proteção aos Índios Brasileiros, não ouvi um grito sequer. Parabéns ao articulista pela matéria tão substancial. Realmente, os melhores números são: um dois,feijão com arroz: três quatro, feijão no prato;oito, biscoito; sete, omelete; deiz,pastéis; um milhão,educação; umPIB de grande porte transporte; sexto PIB mundial, saúde geral….