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Quem acompanha os desdobramentos da operação Lava Jato já deve ter percebido que as empreiteiras do cartel que se especializou em assaltar os cofres do governo federal, não estão nem aí com as cifras das multas e dos milhões (ou bilhões?) que, mediante acordos de leniência, se prontificam a devolver. Por astronômicas que possam ser – e são – essas cifras não passam de migalhas quando comparadas ao dinheiro surripiado. O que as empresas temem é o risco de serem consideradas  “ficha suja”, o que implica proibição de firmar contratos com os órgãos governamentais. A MP 703 editada pela presidente altera dispositivo da lei anticorrupção com a clara finalidade de livrá-las desse risco. A pessoa jurídica volta a ser isentada de responsabilidade pela roubalheira. Assim, retrocedemos ao roteiro já conhecido. Os funcionários e executivos, coniventes com o malfeito praticado pela empresa, serão responsabilizados e passarão pelos constrangimentos próprios do risco dos negócios ilícitos que assumiram, cumprindo ordem superior, mas poderão dormir sossegados. Com a proteção dos poderosos conglomerados empresariais a que servem, terão a garantia de boa vida e os benefícios da impunidade. Entre esses atores – pessoas jurídicas e físicas, ou se preferirem, patrões e “laranjas” – há perfeita sintonia e convergência de interesses. Cada qual seguirá desempenhando seu papel, ciente das vantagens de permanecerem juntos, seja na planície ou na cumeada.

Depois da edição dessa Medida Provisória, ninguém mais tem o direito de duvidar que o governo segue tolerante à simbiótica associação criminosa de corruptores e corruptos que se organizaram para estruturar o audacioso esquema de roubalheira que se alastrou pelos vários órgãos do governo federal. O mais revoltante é que a presidente, ainda uma vez, abusou da boa fé dos brasileiros que comemoraram a lei anticorrupção que ela mesma havia sancionado alardeando que o objetivo era promover a moralização das relações público-privadas.

Neste país do faz de conta aproxima-se o carnaval. Não há época mais propícia para fazer da galhofa a revolta popular. Com a edição da MP 703, Dona Dilma deixou cair a máscara. Ganhou o direito de desfilar na comissão de frente das escolas de samba, ao lado dos pesos pesados das empreiteiras denunciadas na operação Lava Jato. E, para quem, como eu,  acreditou que a lei anticorrupção era para valer, resta um consolo. Pode sair nos blocos carnavalescos ostentando o nariz de palhaço. Mas, quer um conselho, caro leitor?  Não perca tempo… Corra em busca do seu, porque, no Brasil de hoje, esse adereço é muito procurado. Por precaução eu já encomendei o meu…

 

 

Agonia do ITO

Agonia do ITO

Depois de destruir a (FAC), a sanha demolidora do petismo não vai sossegar enquanto não acabar com o que resta da FITO. O processo segue na direção do alvo traçado por Emídio de Souza quando assumiu a prefeitura, há onze anos.  A primeira etapa do plano do ex-prefeito foi concluída com o fechamento das faculdades. Mas, a barbárie não chegou ao fim. O que vem por aí, segue o mesmo roteiro: boicote, bloqueio de recursos, partidarização dos quadros dirigentes, perseguição política, descumprimento de obrigações trabalhistas e péssimas condições de trabalho.

Mas enganam-se os coveiros da FITO. O patrimônio cultural e o prestígio do ITO que, nos bons tempos foi referência nacional de ensino tecnológico, não há de morrer. Sempre haverá ex-alunos, professores e pais que se orgulharão do protagonismo de Osasco no cenário educacional do Brasil. A FITO vive na memória e na consciência dos osasquenses!!!

É Natal!!!

” So this is Christmas!”*

Natal é a pausa para lembrar os sentimentos mais nobres, esquecidos durante o ano. É amor, alegria e perdão. Mas é, sobretudo, solidariedade. Papai Noel desembarca, realiza sonhos e desaparece. De onde vem ninguém, nas comunidades carentes, se preocupa em saber. Imagina-se, apenas, que o bom velhinho vive num mundo desconhecido e deslumbrante, em que todos os dias são dia de Natal.

As cenas são fortes. A televisão chegou na favela junto com o Papai Noel. As câmeras focalizaram a felicidade da mulher, sorridente, de semblante desdentado, ao desatar as fitas coloridas para espiar a cesta de natal recheada de mantimentos. Tinha até um frango e um panetone… As câmeras espertas voltaram-se, em seguida,  para o menino pobre, de rostinho inocente, sentado em um canto, empenhado em desempacotar o presente que acabara de ganhar. Quando viu o brinquedo, sua carinha triste sorriu.

Todos comemoravam o glamour da TV, naquele cenário de pobreza e carências… Com o coração apertado, não pude resistir. Lembei -me da minha infância em Osasco e desliguei a televisão, para não chorar.

Feliz Natal!!

*John Lennon – ” Então é Natal”

 

Efervescência cultural e política

A internet nos reserva surpresas. O estranho e intrigante email veio dos Estados Unidos, em outubro de 2010. Li e reli a mensagem que, embora enigmática, me chamou a atenção porque os personagens, datas e fatos mencionados eram verdadeiros. Ademais, o texto era documentado por fotos e recortes de jornal do início dos anos 1970, a época da extraordinária efervescência cultural e política de Osasco. O email não podia ser mais comovente: “(Ricardo e Rubens) “…passed to us the love, passion and dream for theatre… I remember we used to go to schools and churches to perform one of our plays. We had decided: ‘if people can’tcome to the theatre, we’ll take the theatre to the people’. So we’d load some trucks, that the city provided to us, with the whole scenario and there we’d go, happy actors dreaming big that one day we’d make to Broadway… I didn’t make to Broadway but those years are one of my fondest memories… When I think about home Nucleo Expressão comes to my mind… “
Cindy, a remetente do email, que, à época, era adolescente (início de 1970) e morava em Osasco, expressa de maneira eloquente, o engajamento de sua geração no projeto de divulgar o teatro, como fonte de participação popular ao lembrar que os jovens, de então, acreditavam que, se o povo não pudesse vir ao teatro, eles levariam o teatro ao encontro povo, nas escolas e nas igrejas dos bairros. Para cumprir a missão lotavam caminhões, cedidos pela prefeitura, com os cenários e seguiam – felizes atores – sonhando que algum dia chegariam à Broadway. Ela não chegou à Broadway, mas reconhece que aqueles anos estão entre os mais gratificantes de sua vida. E conclui: “Quando penso em casa, o Núcleo Expressão vem à minha lembrança”.
O depoimento de Cindy que,há tantos anos vive nos Estados Unidos, expressa, sem dúvida, a síntese dos oportunos e judiciosos apelos de Chela, minha querida e inesquecivel esposa, que me convenceu a apoiar a talentosa e dedicada geração de estudantes operários liderada por Rubens Pignatari e Ricardo Dias. (leia em Presença do teatro /20/12/2015; pág. deste livro). A intuição de Chela foi fundamental para a escalada do processo de conscientização democrática e cultural do povo deOsasco, em plena ditadura.

(fotos de ensaios no salão da prefeitura enquanto o Núcleo Expressão ultimava providências para instalação do seu teatro).Núcleo de expressão 2

Núcleo de expressão 5

Núcleo de expressão 4

De Chela recebi o recado, no gabinete, logo de manhã:
“Papi, sei que você anda muito ocupado, mas hoje preciso de sua presença, em casa, antes das nove da noite. Beijo.”
Embora exausto, depois de um dia intenso na prefeitura, não só cheguei no horário, como, para ser franco, me senti refeito do cansaço e gostei do projeto e do sarau a cargo dos convidados de minha esposa.
Depois do sarau, Chela, feliz com meu entusiasmo, fez um apelo:
– Esses jovens, papi, merecem apoio. Nossa cidade é carente de cultura. Não podemos permitir
que talentos preciosos sejam desperdiçados por falta de oportunidades.
– Eu sei Chelita, mas agora estou cansado. Depois nós conversamos.
– Depois!… O que importa fica sempre pra depois. Será que ninguém compreende que estamos sendo atropelados pela pressão das miudezas da política?
– Chela, querida, eu tive um dia terrível…
– Papi, se você soubesse como esses moços confiam no seu discernimento?…
No dia seguinte decidi criar o Departamento de Teatro, na Secretaria da Educação e convoquei os líderes do grupo para dirigi-lo.
Foi um sucesso. Ricardo Dias e Rubens Pignatari, organizaram núcleos de incentivo às artes, despertaram nos jovens, a paixão pelo teatro que se desenvolveu, não só em Osasco, mas em toda a região. Hoje, favorecido pela perspectiva do tempo, não tenho dúvida em proclamar que muito da rica História de participação política, tradição libertária e pioneirismo de Osasco tem raízes no apego às manifestações culturais, notadamente das artes cênicas.

Maria Deosdedite Giaretta Chaves
Guaçu, Eu ia dar aulas de Francês em Carapicuíba e, ao passar pelo 18, via lá em cima, acesas as salas de aula da Faculdade de Administração que inaugurou a FITO.Não demorou muito, ela mudou de endereço, cresceu, ganhou qualidade, nome e fama. Nessa época eu jà era professora de Língua e Literatura do ITO, que fazia parte da FITO, o ITO, o melhor colégio Técnico, não só de Osasco, mas também de São Paulo e do Brasil. Havia alunos que vinham de todos os bairros paulistas, alguns muitos longínquos , como o do Tatuapé, movidos pelo desejo e pelo sonho de cursar escola de renome que lhes garantiria trabalho e êxito no trabalho. Houve um tempo em que tivemos de alugar escolas estaduais vizinhas para poder compor a imensa demanda por vagas, nos famosos vestibulitos, em que eram oferecidas 800 vagas para os cursos de Agrimensura, Eletrônica, Eletrotécnica, Edificações e inscreviam-se 10 mil candidatos. Levávamos o nome de Osasco para as alturas e para muitos rincões,porque também vinham para Osasco , para o ITO, jovens do interior de São Paulo. Eu própria fui professora de milhares de osasquenses e de jovens de outras regiões; jamais passar-me ia pela cabeça que essa Instituição um dia chegasse ao fim. mesmo porque ia crescendo, crescendo com novas ofertas dos cursos básicos, nos quais também lecionei. Vamos ser verdadeiros. Má administração pública, substituição de excelentes professores que não eram do partido, o partido que se dizia o mais democrático de todos os demais, falta de manutenção, ausência total do verdadeiro olhar voltado para a Educação, sindicato constituído pelos professores da instituição que eram partidários, o que garantia à Instituição segurança, mesmo nas injustiças, tantos outros desmandos, foram criando, no cerne da FITO, uma espécie de cancro sem remédio e sem cura. Estruturas abaladas, um dia desmoronam e nós, que fizemos parte de um áureo período, que sempre acreditamos ser a Educação a única redenção do homem, a grande dádiva que Deus nos legou, hoje derramamos lágrimas de constrangimento,porque nada pudemos fazer para salvar a escola; e de dó, muito dó;,ao mesmo tempo, também choramos de temor de que em Osasco só se pense em poder e não se pense em governo.

Amaury Pavão

Ébrios e crianças têm guardiães especiais

Quem é ou foi, como eu, antigo morador de Osasco há de lembrar-se do histórico Largo João Pessoa, que é como se chamava outrora a ampla praça Antonio Menk, também conhecida como Praça da Estação..
Aquele logradouro era muito especial. Tinha algo de mágico. Na esquina do Largo com a Rua João Batista havia o Bar do Coutinho, ponto de encontro da juventude boêmia do então subdistrito, onde se juntava um grupo de “habituès”, alguns jovens e outros nem tanto, sempre a partir do inicio da noite e até altas horas. Havia os que faziam curso noturno no Ceneart e gazeteavam ou saiam mais cedo e os fãs da sétima arte que, uma vez terminada a sessão do Cine Glamour aderiam a algum dos grupos ali reunidos. Tinha, também, os que desembarcavam dos trens da incomparável Estrada de Ferro Sorocabana e ali se detinham, a fim de participar do interminável fórum de debates que então se instalava. Os discursos e os diálogos eram informais, mas não menos amplos, gerais e irrestritos, com acaloradas discussões e conclusões tão formidáveis como inóquas. Mas sobrava civismo e patriotismo, é preciso reconhecer.
O salão de barbeiro do Raul e a farmácia do seu Vasco da Rocha Leão, ficavam na mesma calçada do Largo e também fizeram história.
Um fato real, ocorrido ali naquela esquina, confirma a veracidade de uma freqüente assertiva do memorialista Lucas Pavão, segundo a qual os ébrios, assim como as crianças, possuem anjos guardiães especiais, verdadeiros super-homens se fossem de carne e osso. Vamos aos fatos.
Dentre alguns amantes de uma boa birita (e Coutinho as tinha excelentes, como a renomada “Três Pedras”, “Parnahyba” , “Chaves” e outras destiladas em alambiques da região) havia um amigo nosso, cidadão prestante e autonomista ferrenho, além de florestano e palmeirense fanático. Muito boa gente.
Numa daquelas noites, quando os grupos já se haviam dispersados, pelo adiantado da hora, ele deixa o balcão do bar e anuncia que vai recolher-se ao seu lar na Rua da Carteira (Hoje Narciso Sturlini) . Naqueles tempos não havia muitos veículos como hoje em dia. Mas nosso personagem tinha uma camionete “International”, bastante usada, “pero cumplidora”, como dizem os portenhos. Tencionava ir embora a bordo dela.
Ele estava tão chapado que mal podia manter-se em pé. Seu corpo intoxicado de aguardente balançava de um lado para outro e desafiava as leis da gravidade. Não caía, mas também não se erguia. Uma loucura.
Estava de uma evidência palmar que o nosso amigo não tinha condições de pilotar seu utilitário ate sua casa, pois ele sequer alcançava a alavanca da fechadura, o que o impossibilitava de embarcar na “pick-up” Mas ele implorava aos circunstantes que o pusessem no interior da viatura: “Pelamor de Deus, me ergam até o banco que daí eu vou embora!” – suplicava. Mas, talvez porque ninguém fosse louco de assumir tamanha responsabilidade de possibilitar-lhe a chance de dirigir um veículo naquele estado, não houve quem atendesse suas súplicas. E ele teve que esperar até as coisas melhorarem um pouco. Nada melhorou. O mecânico arrastou-se como pôde e após inúmeras tentativas alcançou a alavanca da porta e a abriu. Então, animado pelo sucesso do momento, após uma série de esforços conseguiu aboletar-se no espaçoso assento da camionete.
Algum Cirineu improvisado, provavelmente duvidando que ele pudesse pôr o carro em movimento, bateu a porta fechando-a com estrépito. “Plam”. E um grupo formou-se ao redor da cabine, para ver como o motorista iria comportar-se no seu interior. Pois, não deu outra. Ele acionou a partida da pick-up e, num átimo, pô-la em movimento. Engatada a primeira marcha, com ele ao volante, a camionete foi subindo, lentamente e em zigue zague a rua Antonio Agu, que naquele tempo era uma via de mão dupla e assim nosso herói seguiu até a Carteira.
Lá chegando, após introduzida num corredor de razoável largura, a viatura parou dentro do quintal de seu proprietário, ilesa e sem um arranhão. E ele também.
Deus seja louvado!

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