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A repórter  da Globo: “Presidente, o que vai acontecer com os parlamentares enrolados na Lava Jato?”

A resposta de Rodrigo Maia: “Enrolados, não: Citados.”

A ironia do Nada Ingênuo Holandês Voador: “Ah, bom!”

LAR FELIZ

Amaury Borges Pavão

No dia 14 de Março de l946, na residência localizada à Avenida Eulálio de Carvalho, via que foi depois rebatizada como Avenida Oswaldo Colino, à altura do número 16, , em Presidente Altino, subúrbio da Estrada de Ferro Sorocabana também renomeada como FEPASA, ao cair da tarde, vinha à luz mais um filho do casal Francisca  (“Chiquita”) e Lucas Pavão.

O nascimento da criança, como não poderia deixar de ser, trouxe muita alegria àquele lar, onde já havia um pugilo de quatro molequinhos e uma menina, os quais passariam a ajudar a mãe nos cuidados com o bebê, assim         como já o faziam nas lidas da casa. O esperado advento do novo cristão, entretanto, não ficaria, como não ficou, gerando seus frutos afetivos somente na estrita esfera da constelação familiar. Avó, tias e tios, primos, primas e demais parentes e amigos, todos se viram envolvidos pelo caloroso clima de novidade e auspiciosas promessas que o bebêzinho trazia consigo. A galera se compunha de gente simples e humilde, mas onde faltavam luxos sobravam carinhos, cuidados e atenções.

O recém nascido possuía um tio, irmão de sua mãe, que era cantor e compositor, vocalista da orquestra de Milton Peruzzi, “band leader” de razoável prestígio naquela época. Esse tio, Francisco Ávila, já tinha gravado dezenas  de suas criações, duas delas com sucesso: “Operária”, com Francisco Egidio e “Réveillon”, com Neide Fraga, contratada da antiga TV Record, antecessora da hoje monumental, Rede Record, entre outras.

Como autêntico profissional da MPB da era do rádio, Ávila numa das constantes visitas que fazia à irmã, ainda convalescente, pediu a um dos sobrinhos um caderno. Um caderno desses simples, formato brochura. Na página em branco que abriu, sem pressa, escreveu uma poesia, despretensiosa, singela fácil de ler e de interpretar. Destacou a folha, releu o conteúdo da página e dobrou-a guardando-a no bolso do paletó, peça indumentária de todo artista daqueles tempos.

Como freqüentava diuturnamente o mundo artístico, isto é, bares, cabarés, estações de rádio , gravadoras e pontos de reunião onde se concentravam os exponenciais da boemia paulistana, mostrava aos que o interpelavam por notícias recentes, a nova composição que vinha de lavrar: “Lar Feliz”, uma valsa bem ao estilo da época.

Numa dessas ocasiões em que exibia a letra e trauteava a música que compusera, um conhecido produtor de discos lhe aconselhou:

– Dê essa música para a dupla Tonico e Tinoco gravarem! A composição “tem a cara deles”! –  sentenciou.

Ávila ficou simplesmente injuriado com a recomendação. Naqueles tempos havia muito preconceito contra a música raiz e seus aficionados, e Ávila era dos mais reacionários.

– “Deus me livre e guarde”! – exclamou. Prefiro rasgá-la e jogar fora do que dar minha música para uma dupla “caipira” gravar. Isto nunca…!”

O tempo, porém, se encarregava de pôr as coisas nos  devidos lugares. Ávila não encontrava nenhum astro da canção tupiniquim para gravar “Lar feliz” e o tal produtor insistia que os intérpretes ideais, perfeitos para garantir-lhe expressivo sucesso, só podiam ser Tonico e Tinoco.

Com a vontade muito vacilante, tal qual se estivera condenando a singela composição ao ostracismo, cheio de dúvidas e inquietações, o veterano autor concordou em ver sua valsinha eternizada no disco, por uma dupla famosa, consagrada, imbatível e vitoriosa, mas “caipira”.

Veja o leitor como o ser humano é capaz de se equivocar, dando aos enganos dimensões extraordinárias. A valsinha “Lar Feliz” esgotou-se no mesmo dia em que o disco foi lançado à venda. A gravadora teve que tornar a gravar muitas vezes o disco, estrondoso sucesso de vendas,

sob a perplexidade dos produtores e dos intérpretes, espanto e assombro do autor que não sabia mais o que pensar, enquanto o disco subia um todas as paradas de sucesso. E rendendo uma arrecadação digna de respeito e admiração. Deu um bom dinheiro! Sucesso e ouro andam de mãos dadas. Onde você se encontrasse, fosse  num bar, numa casa, num taxi, iria se ver obrigado a ouvir a valsinha, tocada em todas as emissoras do país, por amantes da música caipira e ex-detratores do gênero, reunidos na mesma admiração pela imorredoura dupla Tonico e Tinoco.

Francisco Ávila morou no Quilometro Dezoito e em Presidente Altino (Osasco). Sua valsa foi também gravada por outros intérpretes.  Recebeu o percentual monetário que lhe cabia por direito de autor, durante mais de vinte anos.  A valsinha composta na mesa da cozinha de uma casa modesta, durante anos e anos rendeu o pão de cada dia, com apreciável fartura, ao preconceituoso autor, depois fã incondicional, por razões óbvias, l da música caipira e de seus intérpretes.

 

052“Sou democrata, antes de socialista” – Mario Soares.

Em menos de um mês perdemos dois grandes vultos da História. Um, em São Paulo, o outro, em Portugal. Essa dolorosa coincidência, traz-me à lembrança, um episódio inesquecível. Em visita ao meu gabinete na prefeitura de Osasco, Mario Soares – Primeiro Ministro, Presidente e herói da resistência democrática – manifestou o desejo de conhecer Dom Paulo – o campeão da luta em defesa dos Direitos Humanos. Levei-o à presença do eminente Prelado.  A audiência de quinze minutos prolongou-se por mais de meia hora.  À saída, Mario Soares não economizou elogios às posições do estimado cardeal: “É de Bispos “politiqueiros” assim, que estamos a necessitar”. Quando informei que o termo ”politiqueiro”, no Brasil tem conotação depreciativa, a resposta veio bem humorada:

“Depois da invasão  das novelas da Globo, em Lisboa já não se tem certeza se foi ‘gajo’ que virou ‘cara’, ou vice versa.”

 

cadeia-femininaVocê sabia, caro leitor, que cerca de 40% dos detentos não deveriam estar presos? A culpa da superlotação carcerária, não é só do Executivo. O desembargador aposentado Walter Maierovich é categórico: “As cadeias estão lotadas porque a Justiça não funciona”. (Folha de S.P.; 09/01; p.A2). Será que com o empenho demonstrado, agora, pela Ministra Carmem Lúcia, presidente do STF, e a pressão da sociedade civil, o problema será encarado com responsabilidade? A conferir.

 

 

     Eu ainda era “bicho” na ESALQ/USP, em 1955 quando, cabeça raspada, comecei jogar no Quinze de Novembro de Piracicaba. Embora curta e opaca, a experiência trouxe-me boas recordações.  Algumas, eu já tive oportunidade de mencionar no livro Sonhar é Preciso (2008). Hoje, por mero acaso, lembrei-me de mais uma. Em partida da Copa São Paulo de Futebol Junior, o Juventus derrotou o Avaí, classificando-se para as quartas de final da competição. Até aí, nada de mais, a não ser por um detalhe. O jogo aconteceu no velho estádio juventino da Rua Javari. Foi nesse cenário – onde Pelé marcou o gol mais bonito de sua memorável carreira – que eu estava escalado para fazer a estreia na equipe principal do Quinze, num jogo de vida ou morte. Se saíssemos derrotados seríamos rebaixados para a segunda divisão. Gatão, capitão, ídolo e líder do grupo, preocupado com o peso da minha responsabilidade, aproximou-se para conversar: “Mantenha a calma, menino. Jogue como nos treinos e tenha confiança. Você vai sair daqui consagrado…”

Já no vestiário, Canarinho, goleiro titular da nossa equipe, numa última avaliação, foi considerado apto e entrou no meu lugar.  Às vezes penso que, se eu tivesse jogado naquela tarde, o destino teria me reservado um futuro bem diferente. Mas isso não vem ao caso.  Creio que o leitor está mais interessado em saber que o empate, conquistado com muita garra e sofrimento, garantiu-nos a permanência na série A do Campeonato Paulista que, à época era a principal competição do futebol brasileiro. Anos depois, o Quinze foi vice-campeão estadual.

* O Juventus, que apesar de sua fragilidade técnica, tinha a tradição de vencer grandes times, ficou conhecido como o “moleque travesso”.

Foto do Quinze de Novembro de Piracicaba

Em pé: Guerra, Fernando, Biguá, Walter, Guaçu, Xixico

e Geraldo Scoto. A Gazeta Esportiva Ilustrada.

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Estranho, para dizer o mínimo, o ato do ex-prefeito Lapas autorizando o aumento das passagens dos ônibus, na última semana do seu mandato. A população, inconformada, espera que Rogério Lins, eleito com o compromisso da mudança e da transparência, determine um criterioso reexame desse aumento.

Cultura Hispano-americana

 Um “Carlito” argentino nascido na FrançaResultado de imagem para carlos gardel

 

      Transcorreu segunda-feira, no passado dia 12, deste festivo mês de dezembro, o aniversário de nascimento de um dos mais consagrados artistas do século XX.  Festejado como um dos maiores cantores das Américas, o grande ídolo da canção argentina, Carlos Gardel,  durante certo tempo de sua gloriosa carreira foi também reconhecido pela crítica e  pelo público sob o  carinhoso apelido de Carlito. Chamava-se na verdade, Charles RomualdGardes e era nascido em Tolouse, cidade da alta Garona francesa, em 11 de dezembro de 1890.

 

            Vale esclarecer que seu tipo físico, seu perfil psicológico e o gênero de arte que adotou para figurar triunfalmente no firmamento musical da transição dos séculos XX, e seguintes, nada tinha a ver com outro gênio da época, que figura ao mesmo nível no Panteão da Glória: Charles Chaplin. Este era “Carlitos”, com “s” final no apelido artístico e embora haja brilhado nas telas como ator, compositor e comediante, diferia de Gardel, na imagem que passava ao grande público. Carlitos/Chaplin, era um personagem jocoso que posou de palhaço em diversas películas, elevando à alturas sublimes aquele tipo soberano das lidas circenses. Gardel , por sua vez, criou um personagem diferente: elegante, metropolitano, era um galã, transportando para a atmosfera portenha o mesmo charme da adolescente Hollywood e, para o mundo, todo o envolvente glamour da Buenos Aires de então.

            Gardel aportou em Buenos Aires aos dois anos de idade, com a mãe Berthe Gardes, passadora de roupas, que havia sido contratada por uma socialite francesa. Foi um moleque travesso, mas muito inteligente e de excelente caligrafia, Cursou o Colégio Dom Bosco e desde cedo foi atraído pelos encantos da música. Engajou-se num grupo de “comparsas cantantes” e, menino esperto , teve oportunidade de ouvir grandes cantores líricos do início do século XX, no estupendo teatro Colón. Vem de então sua extrema sensibilidade para a “alma” musical que integrou às suas interpretações recheadas de sentimento, na sua trajetória pelo canto popular. Começou a cantar ritmos criolos, sambas e composições simples, em bares e botequins. Aprimorou sua estampa reduzindo o próprio peso de 118  para 75 quilos e vestia-se como um dandy, Formou em 1911, uma dupla com José Razzano, junto a quem começou promissora carreira profissional. O sucesso o acompanhava com notável fidelidade.

Em 1923, viaja para a Espanha, onde suas apresentações alcançam marcante êxito.  No ano seguinte, sua fama se estende enormemente com a realização de um primeiro concerto radiofônico, ao vivo, direto de Buenos Aires. Em 1928, cinco anos após, desembarca uma vez mais na Europa. Conquista Paris, sua voz, sua imagem, seus gestos e sua cativante simpatia causam verdadeiro furor. Contratado pela cinematográfica Paramount, atua, com o esperado destaque, no filme Luces de Buenos Aires, lançado em 1931, em ampla rede que abarcava cinemas da Europa e das três Américas. No ano de 1933, depois de uma rápida passagem pela capital Argentina, é novamente chamado à Hollywood, onde atua, como estrela de absoluta primeira grandeza , nas películas Cuesta abajo, El dia que me quieras, Tango bar, El  Tango em Broadway. A grande maioria de seus tangos, apreciadíssimos, era de autoria de seu amigo, Alfredo Lepera, compositor de uma veia poética inesgotável e de exuberante inspiração. Autor invejado e bafejado pela benção de divinas musas do Olimpo, Lepera morreu ao lado de Gardel, na catástrofe de Medellín – semelhante a que pranteamos recentemente – às três horas da tarde de 24 de Junho de 1935.

            Em 2003, a ONU por meio da UNESCO, declarou Patrimônio Cultural da Humanidade, a voz de Carlos Gardel, elogiável iniciativa que ombreou o imortal intérprete à Beethoven, Enrico Caruso, Maria Callas, Mozart e outros raros nomes que ornamentam um seleto elenco de divindades eleitas por ouvidos super exigentes.